Em 1953, os santamarenses fizeram sua primeira tentativa de emancipação, mas não obtiveram êxito devido as injuriações políticas da época. Em 29/08/1956, o distrito foi levado a condição de município pela lei 1.504, tendo por primeiro prefeito o Sr. Haroldo Silva. Em 14/04/1957, o Sr. Ivo Silveira conseguiu “derrubar” a emancipação política do município através do Supremo Tribunal Federal e com isso, Haroldo Silva caiu do poder. Houve então, um novo movimento de emancipação do município, que contou com a participação importante do próprio Haroldo Silva e seus companheiros para a conquista política do município. A Câmara Municipal de Palhoça, pela Resolução 3/57 de 09/11/1957, sancionada pelo presidente Marcos Neves de Oliveira, autorizou o desmembramento do município de Santo Amaro da Imperatriz. O Projeto de Lei 224/57 apresentado à Assembleia em 11/11 pelos decretos Ivo Silveira e Laerte Ramos Vieira, para exame e decisão final. Através da Lei 344 de 10/06/1958, sancionada pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Miranda Ramos, foi então, criado oficialmente o município de Santo Amaro da Imperatriz, cuja instalação se deu em 10/07 do mesmo ano. Com a nova emancipação foi nomeado para prefeito o Sr. Augusto Althoff, pois o artigo 6° da Lei 344 de 10/06/1958, determinava que as eleições para prefeito municipal deste município deveriam realizar-se em 1958, no mesmo dia em que se realizassem as eleições gerais do Estado. Em 11/05/1979, o município foi elevado à categoria de Sede Comarca integrada por Águas Mornas, São Bonifácio, Anitápolis e Rancho Queimado.

Os grupos políticos existentes em Santo Amaro estavam vinculados as lideranças dos deputados Ivo Silveira (PSD) e Laerte Ramos Vieira (UND). Em 1953, houve uma movimentação em que todos lutaram por um só objetivo: a Emancipação.

Em 20 de agosto deste ano, começou a tramitar na Assembleia Legislativa o projeto de Lei nº 190, rejeitado em 16 de dezembro, o que não esmoreceu as lideranças locais. Ao contrário, o movimento de emancipação se fortaleceu. A comunidade e lideranças fizeram reuniões, visitas a outros distritos a fim de esclarecer e ao mesmo tempo pedir apoio ao movimento.

Com a vitória em 1956, de Jorge Lacerda para o Governo do Estado, pela UDN, apesar de pertencer ao PRP, as condições para a emancipação pareceram mais favoráveis. A iniciativa foi tomada por Laerte Vieira Ramos através do projeto de lei nº 46 aprovado e transformado na lei nº 1.404. Fervia então por aqui o movimento emancipacionista por várias vezes foi apresentado na Assembleia o projeto que desmembrava Santo Amaro de Palhoça. Era sempre rejeitado pela a oposição, ou seja o PSD, que tinha maioria. Os deputados temiam um Santo Amaro liberto de Palhoça e com isso a falência do PSD em toda a região. Uma vez que o futuro prefeito nomeado pelo governador seria da UDN (Haroldo Silva, João Marcolino Costa, Teófilo Santos, Wilmar Lepoldo Gerent, entre outros) ou do PRP (Gercino Nicolau Duarte).

Mas, a emancipação veio e a festa já estava pronta. A sessão solene de instalação do novo município culminou com a leitura da Ata Oficial às 17h30 de 08 de setembro de 1953. Estavam presentes os excelentíssimos Sr. Jorge Lacerda (governador), o exmo. Reverendíssimo Dom Joaquim Domingues de Oliveira (Arcebismo Metropolitano), altas autoridades civis, eclesiásticas e militares e grande número de pessoas do município. Em virtude de ser criado pela Lei nº 1.504 de 29 de agosto de 1956, foi solenemente instalado o município de Santo Amaro da Imperatriz. O documento contém uma lista com muitas assinaturas iniciada com a de Jorge Lacerda.

O primeiro prefeito nomeado na mesma solenidade foi o professor Haroldo Silva. Para seus auxiliares escolheu Wilmar Leopoldo Gerent (Secretário de Administração), Gercino Nicolau Duarte (Tesoureiro) e Teófilo Santos (Entendente). A prefeitura foi instalada no prédio de João Marcolino Costa na rua Prefeito José Crisóstomo Kehrig, no centro.

O pessoal do PSD organizou um complô para que os munícipes não pagassem os impostos à nova prefeitura e por trás disso, estavam o dedo do grande líder do PSD, o deputado Ivo Silveira, que já pensava em derrubar o recém-criado município.

A prefeitura ia mal. Não havia dinheiro no caixa. Sequer dava para pagar os dois únicos funcionários. Teófilo, por exemplo, passou privações, enquanto Gercino Nicolau Duarte, tirava dinheiro do próprio bolso para despesas eventuais. E foi em meio a essas dificuldades iniciais que chegou a notícia da anulação da emancipação, decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 25 de abril de 1957, após oito meses da instalação.

A sentença judicial foi motivada por uma ação impetrada pelo deputado Ivo Silveira, alegando que Santo Amaro não tinha renda suficiente para ser município. Vale lembrar que Ivo Silveira defendia Palhoça, município o qual tinha sido prefeito e possuía aliados no comando pelo PSD.

Recorda Wilmar Lepoldo Gerent: “A cidade amanheceu coberta de faixas pretas em sinal de luto. Voltara tudo o que era antes. Toda a luta de vários anos foi em vão e o povo gritou e não hesitou em lançar um protesto oficial no próprio livro de Ata de criação do município. O repúdio foi expresso da seguinte maneira:

“Protesto veementemente antipático ato do PSD anulando a criação do município de Santo Amaro, a mais legítima aspiração de um povo que vem oprimido há mais de um quarto de século. A lista contém 164 assinaturas. Foi uma decisão frustrante que desagradou a muitos santoamarenses, que colocaram panos pretos em sinal de luto além de bonecos nos postes com a figura de Ivo Silveira e todo mundo que passava dava um “malho” nele. Ele passou a ser considerado um “judas” para Santo Amaro.

Passado o período inicial de frustrações e rancores, as principais lideranças de Santo Amaro voltaram a carga deixando de lado as divergências partidárias em decorrência das pressões que foram feitas, os deputado Ivo Silveira (PSD) e Laerte Ramos Vieira (UDN), acabaram se entendendo para apresentar juntos, na Assembleia, o projeto de Lei nº 224, em 11 de novembro de 1957. No ano seguinte travaram-se grandes debates no Legislativo Estadual. Ivo Silveira notando a reação do povo e sentindo que perdia prestígio, mesmo junto ao PSD da população revoltada, tratou de criar novamente o município, só que agora como “pai da criança”, o que renderia o título de verdadeiro criador do município. Apresentou o projeto na assembleia onde os mesmos parlamentares que haviam negado a emancipação o aprovaram sem maiores demandas. Assim surgiu a lei nº 344 de 06 de junho de 1958 criando pela segunda vez o município e instalado no dia 10 julho de 1958, sem o brilho e o entusiasmo da primeira instalação.

 

 

SEGUNDA

EMANCIPAÇÃO

 

O projeto para criação do município de Santo Amaro da Imperatriz deu entrada no dia 11 de novembro de 1957 na assembleia Legislativa de Santa Catarina. Vale ressaltar que a primeira emancipação foi derrubada. O projeto de Lei nº 224/57 foi elaborado pelos deputados Ivo Silveira e do Dr. Laerte Ramos Vieira. O município de Santo Amaro da Imperatriz foi criado através da Lei nº 344 de 06 de junho de 1958, portanto comemorou-se no último dia 6 de julho, 59 anos da Lei.

A Lei foi sancionada pelo deputado José Miranda Gomes, presidente na época da Assembleia Legislativa do Estado, cuja instalação se deu em 10 de julho de 1958. Essa foi a segunda emancipação política, pois a primeira foi derrubada pelo então deputado Ivo Silveira em 25 de abril de 1957.

Neste segundo momento da história, Augusto Althoff (ex-UDN) foi nomeado prefeito provisório em 10 de julho do mesmo ano por Heriberto Hulsen, governador na época. Augusto Althoff permaneceu no cargo até 13 de novembro de 1958.