Laudo feito pelo Instituto Sea Shepherd Brasil – Núcleo Santa Catarina, com base em amostras coletadas no dia 19 de fevereiro em cinco diferentes trechos do rio Cubatão, aponta índices alarmantes de poluição e contaminação. Matéria foi publicada no Jornal Palavra Palhocense, de Palhoça.
O vereador Ricardo Costa (PMDB), representante da Câmara de Vereadores de Santo Amaro no Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Cubatão, irá mobilizar várias entidades representativas e órgãos, para solicitar novos testes da água, como forma de confirmar a veracidade do que foi divulgado pelo Instituto Sea. “É uma difusão que gera muitos impactos negativos e portanto, temos que ter a certeza do que se trata até para tomarmos as providências corretas”, diz o vereador.

Vereador Ricardo Costa (PMDB), membro do Legislativo no Comitê de Bacia

Todos os pontos analisados pelo Instituto, segundo ele, apresentaram resultados acima dos limites estabelecidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente, além de apontarem para o despejo irregular de esgoto sanitário. As quantidades de coliformes fecais, que são bactérias normalmente encontradas no intestino humano e animal, por exemplo, chegam a níveis quase 10 vezes maiores do que o permitido no ponto que leva a água até a Estação de Tratamento da Casan.
O laudo aponta que o ponto de coleta no Centro de Santo Amaro da Imperatriz foi o que apresentou os piores resultados, com “quantidade de nitrogênio amoniacal total, outro indicativo de despejo de esgoto sanitário não tratado, quase dez vezes acima do permitido”. “A equipe técnica do Sea Shepherd Brasil notou um forte odor de esgoto no local”, informa o laudo.
Há preocupação também com a presença de produtos tóxicos na água. “Encontramos plantação de tomate na beira do rio, e o tomate é uma das culturas que mais leva agrotóxico. Esse tipo de química não sai em tratamento. As pessoas podem estar bebendo veneno”, explica Hugo Malagoli, diretor do Núcleo de Santa Catarina. Hugo cita outros problemas às margens do rio, como a ausência de mata ciliar e construções irregulares. “Mesmo os pontos utilizados para recreação, longe de saídas de esgoto aparentes e onde a água parece estar limpa, apresentaram-se fora dos padrões estabelecidos”, aponta o documento. O dossiê com os laudos das análises, relatórios e soluções apontadas foram protocoladas no Ibama (órgão federal de controle ambiental), na Fatma (estadual) e nas Prefeituras de Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz.
Para minimizar os problemas, os técnicos do instituto recomendam medidas como a recuperação da mata ciliar, fiscalização e punição dos responsáveis pelas ligações clandestinas de esgoto e o real cumprimento das leis ambientais brasileiras.

“A cosa tá medonha”